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domingo, 12 de abril de 2015

Solidão

Gostava muito da música que diz assim: sozinho aqui trancado nesse apartamento...
Geralmente a solidão consolida-se em um quarto, a luz finda no cantinho da parede, a água do balde não se mexe.
Desenhos de dinossauro em uma floresta escura e sem fim.
Você em cima do palco balançando um lenço, só irão perceber a mancha bem na ponta.
Gostaria de usar outras palavras como: cigarro, cinzeiro, batom e etc. mas tenho medo do mau cheiro.
O cinto está lá pendurado, mas aperta suprimindo meu coração que já está sumido, pelo escondido de todos.
Vejo a palavra amor, apenas na escrita.
Só sabe o que é Amor, quem se dispõe a Amar.
Só sabe o valor da visita quem já foi visitado.
Lembro-me do meu pai, só nas horas que me sobressai a solidão.
Mas acordei e soube da notícia que ele já não existia.
Me lembro só da lágrima que rolava quente em meu rosto.
Sempre passa em minha cabeça a lembrança daquele momento em que ele cantava Altemar e batia em uma caixa de fósforo, mas hoje queria inclinar a cabeça sobre a caixa dos seus peitos e ouvir novamente seu coração bater, mas passou, o que precisa mesmo é o meu coração voltar a bater e entender que esta solidão tem que bater em retirada.
Solidão, creio que Adão sabia bem o que era a escuridão, por isso dormiu, para passar logo seu dia, quem sabe quando eu acordar ela tem ido embora.


Natal/RN



MN

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