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domingo, 4 de janeiro de 2015

Roupas Pretas


O relógio marca dez segundos
em que relógio?
o da vida? ou da tua vida?
A TV é digital, roupas pretas
lábios carnudos e olhos fechando o que, o que a boca não consegue falar...
terminamos olhando para prédios em ruínas; 
roupas pretas...
A barca vai deslizando bem devagarzinho e você dentro
mas a roupa é preta, pernas cruzadas.
Andar em deserto ou em meio aos prédios, não há diferença! 
belos penteados, belos batons... o que importa é o gosto de cinza na boca.
a gola da camisa enrola e a etiqueta fura o pescoço me tirando a ética...
esfrego minhas mãos uma na outra.
Mas uma coisa é certa, não uso pulseiras, apenas correntes reluzentes...
as roupas são pretas, as coisas estão pretas, o carro é preto, e o cabelo que me acalma é negro.
duas lágrimas que correm e escorrem são bem quentinhas.
A roda gigante ao meu lado está parada.
Ando pelo calçadão onde todos me olham, mas ninguém ao mesmo tempo não me conhece, assim como entre os bancos, também não conhecem minha dor, em vez de ajudarem a limparem a veste, jogam baldes onde a cor da tinta, faz minha roupa continuar preta.
Como este sol é quente, mas não há brilho, imagine com roupas pretas.
Não sei jogar bola, pois tropeço dentro do jogo, marcado por um juiz de roupas pretas...
Não sei porque um dia deixei de usar roupas pretas, pois é melhor nunca ter deixado de usar, do que deixar e voltar...
O barco vai devagar e eu olho para trás
olhos entre os dedos e vejo coisas da vida.
Mas a roda gigante começa a girar, só que eu dormi dentro do brinquedo.
Acordo com todos zombando de mim...
e a roupa continua preta!
estão batendo fotografia, tentando desvendar a causa da morte e assim já experimentando qual a melhor roupa preta encaixa-se melhor no corpo de quem saiu do corpo ao qual eles pensam fazer parte.
mas ai as mãos deixaram de esfregar, deixei de olhar entre os dedos, perdi a pulseira, ou foram quebradas? 
não sei, vejo os pássaros voltando a voar, e ontem observei um beija-flor.
ai passei a não dormir mais no brinquedo, agora eram dois cavalos e dois pássaros.
arranquei o cordão em que na verdade eram coleiras.
As roupas agora são azuis, refletindo o brilho do céu.
Começo a sentir algo nas mãos e é como uma bola de fogo onde as mesmas não conseguem encostar uma na outra...
e os pássaros estão lá, sobrevoando!
que tal de azul passar a ser creme???
As fotos continuam, mas não são as mesmas pessoas, elas estão sorrindo de mim, porque acordei e não passava de um pesadelo, onde estava com roupas pretas e agora buscarei vestir Vestes Brancas...

MN

Vai Valer a Pena

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